Renascimento

aproximadamente de 1300 à 1600

O Renascimento nasceu em um contexto muito amplo de pensamento e não apenas como uma nova estética artística. Na Antiguidade, a pintura tinha fins meramente lucrativos, como qualquer outro ofício da época. Os artistas ainda não tinham a liberdade de criar suas próprias telas; elas eram previamente encomendadas e seguiam um padrão de execução.

Por volta de 1300, os artistas foram em busca de sua liberdade criativa e de expressão. Começava uma época de grandes mudanças no pensamento cultural, intelectual e artístico. No século XIV, teve início o desenvolvimento da perspectiva, enriquecendo, assim, as técnicas de pintura da época. Os pintores começaram a buscar novas inspirações que ultrapassassem o caráter sacro. A visão dos artistas foi se expandindo, juntamente com os pensamentos sobre o mundo humano.

Era um período de gradual mudança de feudalismo para capitalismo. O pensamento, antes teocêntrico, passava a ser antropocêntrico e individualista. As pessoas deixavam de acreditar somente na religião e na sabedoria controlada pelo clero. Os questionamentos científicos eram impulsionados pelo pensamento naturalista – este que se baseava na observação da realidade e nos conhecimentos empíricos – e racionalista. Os cientistas da Renascença avançavam em conhecimentos nos campos da Física, Astronomia e Fisiologia.

A curiosidade sobre o mundo também tinha caráter geográfico. Começava a época das Grandes Navegações, com o intuito de conhecer as lacunas dos mapas e de encontrar novas terras, aumentando a riqueza dos países colonizadores. Muitas invenções surgiram nesta época (bússolas, relógios, cartografia etc) para dar suporte aos navegadores que saíam em direção ao desconhecido.

Juntamente com o Renascimento Científico, nascia também o Renascimento Comercial. Com o crescimento demográfico da Europa, houve uma ampliação no mercado consumidor. O desenvolvimento destas atividades comerciais aconteceu, principalmente, no Norte da Itália, o que trouxe riqueza e prosperidade para as cidades italianas. Os artesãos italianos e comerciantes começaram a dar valor ao seus próprios produtos e criações: era o começo do Renascimento como movimento artístico, que nascia em Florença, nas primeiras décadas do século XV.

Esta valorização das diversas áreas do saber levou os italianos a buscarem uma inspiração clássica, a Greco-Romana, com o objetivo de reviver este período que enaltecia a literatura, a mitologia, a filosofia e a arte. A temática religiosa cristã continuou presente na produção artística renascentista.

Esta nova visão do mundo foi pela primeira vez representada por um dos maiores pintores renascentistas, Giotto di Bondone. O pintor também foi o primeiro a assinar seus quadros, dando início a uma consciência de personalidade individual do artista.

As novas técnicas artísticas eram discutidas em público e dava-se início as primeiras teorias da arte. O arquiteto Leon Battista Alberti publicou em 1435 o seu Tratado Sobre a Pintura, trazendo a público os princípios matemáticos de representação em perspectiva que Giotto utilizava em suas obras.

A utilização da perspectiva dava uma nova vida à arte. O pintor Masaccio executou, em 1427 um afresco da Santíssima Trindade, que, utilizando-se desta nova técnica, tinha um caráter muito realista. Os fiéis chocaram-se com a obra, e pensavam estar olhando para uma capela real de uma igreja vizinha.

O realismo desta obra de Masaccio se deve também a relação coincidente entre os corpos e o espaço. As personagens representadas foram submetidas a uma escala igual, assim como toda a arquitetura, balanceando a obra.

As ideias antropocêntricas e individualistas do Renascimento fizeram com que surgisse um novo gênero artístico, que se perpetuaria até outros períodos artísticos: o retrato. De primeira, os retratos também seguiam um certo padrão por todos os artistas. A pessoa era sempre representada de perfil. Somente na segunda metade do século XV os retratos tiveram uma composição do rosto a três quartos.

Por volta de 1470, Lorenzo de Médicis tornara Florença na maior cidade política e cultura da Itália. A família Médicis tinha importante posição dentro de Florença. Eles utilizavam de sua riqueza para a perpetuação no poder mas também investiam muito na arquitetura e nas artes. Algumas das obras mais importantes do mundo pertenceram um dia a esta família italiana. Os Médicis foram de grande importância para o pleno desenvolvimento do Renascimento italiano e patrocinaram muitos pintores, dentre eles Michelangelo, Leonardo da Vinci e Sandro Botticelli.

Botticelli utilizava-se muito da mitologia grega para criar suas composições e por este motivo chamara a atenção de Lorenzo. A grande maioria dos pintores ainda optava por representações da fé católica e as cenas do mundo mitológico ganhavam seu espaço de forma gradativa.

Uma das mais importantes obras do Renascimento, O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli representa uma destas cenas mitológicas. Na obra, a Deusa grega Afrodite – Vênus segundo a mitologia romana – está cercada pelo Deus do Vento Oeste, Zéfiro e pela Deusa Flora. Vênus, é representada na terra, vinda de esferas divinas e inalcançáveis. A obra é o primeiro nu feminino monumental.

Vênus, nascida da espuma das ondas, é a Deusa da Beleza e do Amor. Sob uma concha, esta que indica fertilidade, é conduzida pelos deuses do Vento e pela Deusa das Flores. Os seus cabelos balançando com o vento dão movimento ao quadro e as flores, que ao seu lado caem, trazem certa leveza e pureza à obra.

O Renascimento é dividido em 5 categorias: Renascimento Inicial, composto principalmente por esculturas, Renascimento Nórdico, onde há destaque para o pintor Jan Van Eyck, o Renascimento, com Botticelli e Pierro della Francesca, o Alto Renascimento, com destaque para Da Vinci, Michelangelo, Rafael Sanzio e Paolo Veronese. Há ainda, o Renascimento Veneziano, sendo os principais artistas Giorgione, Ticiano e Giovanni Bellini.

A Alta Renascença é o ápice do Renascimento italiano e aconteceu durante o século XVI. O começo deste período é marcado pelo afresco de Leonardo Da Vinci, A Última Ceia, de 1495-98.

Leonardo Da Vinci foi um dos, se não o maior, artista na história da arte ocidental e é considerado um verdadeiro gênio, não apenas na arte, mas também em outros campos da ciência. O artista contribuiu de inúmeras maneiras para a arte e seus trabalhos se perpetuam com a mesma importância até os dias atuais. Em relação a técnicas de pintura, Da Vinci inovou com a criação do sfumato . Esta técnica é alcançada por transições suaves de luz e sombra, dando, assim, uma característica tênue aos objetos e paisagens representados.

Da Vinci também estudou as perspectivas, como em A Última Ceia. Nesta obra, a mesa se estende no canto inferior, fazendo com que o observador se situe diretamente em frente à Jesus e dos seus discípulos. Todas as linhas da perspectiva da arquitetura ao fundo, convergem para um arco que paira sob a cabeça de Jesus. A combinação harmoniosa da composição, os detalhes dos alimentos, o espanto dos discípulos contrastando com a calma e harmonia de Jesus, fazem deste afresco uma das grandes obras-primas de Leonardo da Vinci.

A obra mais famosa e aclamada de todo o Renascimento e de toda a História da Arte surge neste período da Alta Renascença, em 1503: A Gioconda (mais conhecida como Mona Lisa). Há uma série de interpretações e especulações quanto a identidade da mulher retratada. A obra parece ter sido criada a partir do cenário ao fundo, e não como se tivesse sido baseada em uma observação. Neste quadro, Da Vinci utiliza-se da técnica de sfumato, que atenua a luz e os traços da mulher.

Ainda no período de Alta Renascença, podemos citar outro grande gênio da pintura e também da arte de esculpir: Michelangelo Buonarroti. O artista, ainda que fosse um gênio na arte de pintar, acreditava que a escultura era o meio mais nobre de fazer arte e o mais indicado para representar sua ideia do Homem como centro do universo. Desta maneira nasce a famosa escultura de Michelangelo, David, que representa a perfeição do corpo humano e é interpretado como um símbolo de liberdade e independência.

Um dos maiores feitos de Michelangelo foi a pintura do teto da Capela Sistina, representando o Juízo Final. A obra completa é uma das mais impressionantes acerca deste tema em toda a História da Arte. No centro do teto se encontra a famosa obra A Criação de Adão, que mostra o exato momento em que Adão recebe a energia da vida como dádiva de Deus. Os dedos deles quase se tocam no centro da pintura e são representados de uma forma suave a ao mesmo tempo forte, dando o sentido de poder da criação.

Dentre os grandes pintores do Renascimento cabe-se, ainda, citar o grande Rafael Sanzio, conhecido apenas por Rafael. A sua maior contribuição para a arte foi a decoração dos quartos do Vaticano, que serviam como uma biblioteca para o Papa. Rafael se tornou o principal artista da corte papal. A decoração das stanze (que significa ‘quartos’, em italiano) é baseada em um espírito neoplatônico e humanista. A famosa Escola de Atenas, está localizada em uma das paredes de uma destas stanze. Cada afresco desta sala simboliza uma das quatro artes: Filosofia, Teologia, Poesia e Direito. O que interliga estes quatro temas é o equilíbrio entre a cultura clássica e a cultura da época, ambas em busca da verdade. A Escola de Atenas representa a Filosofia e a verdade racional. A Disputa do Santíssimo Sacramento simboliza a Teologia e a verdade sobrenatural. O Parnaso com Apolo e as Musas representa a Poesia e a verdade bela e o afresco Virtudes representa o Direito.

A Escola de Atenas é uma das obras mais importantes do Renascimento, justamente por recuperar este caráter clássico.

Bibliografia:

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Arte e Artistas. A Criação de Adão. Disponível em: https://arteeartistas.com.br/criacao-de-adao-de-michelangelo-buonarroti/

Escola Britânica. Família Médicis. Disponível em: https://escola.britannica.com.br/artigo/fam%C3%ADlia-M%C3%A9dicis/481873

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