aproximadamente de 1600 à 1750
O período artístico conhecido como Barroco teve início no fim do século XVI e começo do século XVII, na Itália, no contexto histórico da Reforma Protestante. Os questionamentos sobre a Igreja e os pensamentos reformistas encadearam diversas guerras por toda a Europa. Este processo de enfraquecimento do catolicismo e da autoridade papal levou a Igreja a adotar um novo meio de propagação de seus ideais: a arte.
O próprio termo ‘Barroco’ carrega um significado pejorativo. Ele deriva do italiano ‘Barocco‘, palavra que era usada na Idade Média pelos filósofos da época e significava um impedimento na lógica esquemática. A palavra passou a simbolizar algo irregular e imperfeito, como uma ideia distorcida.
Na Itália, a Igreja começou a recuperar gradativamente o seu poder. A utilização da arte para espalhar o catolicismo teve certo sucesso, uma vez que as pinturas conseguiam cativar a emoção das pessoas. As obras representavam a história cristã e a mitologia, com muita teatralidade e dramaticidade, que são traços característicos deste período.
Os artistas barrocos buscavam inspiração para as representações comoventes e monumentais nas obras da Alta Renascença. As cores intensas, o manejamento da luz e os tons fortemente contrastantes são aspectos únicos do Barroco.
As igrejas eram inteiramente decoradas com pinturas grandiosas e com uma arquitetura extravagante. Muitos dos afrescos eram feitos nos tetos das igrejas e simbolizavam o próprio Céu com criaturas celestiais. Um dos mais importantes artistas deste período foi Andrea Pozzo, com a chamada pintura ilusionista, que utiliza a técnica quadratura, que mistura a arquitetura e a pintura, dando a impressão de grandes colunas que se estendem no teto, como em sua obra Alegoria da Obra Missionária de Jesus.
Nesta obra, o espaço real e o espaço pintado se fundem, dissolvendo as fronteiras entre realidade e visão.
Impossível discorrer sobre o Barroco sem citar o grande Caravaggio, que trouxe para o movimento uma técnica revolucionária de pintura, o tenebrismo. Essa técnica, usando de tons intensamente escuros ao redor das figuras representadas, dá um ar dramático, sombrio e teatral para a pintura e faz da luz um personagem na composição.
Outra caraterística das obras de Caravaggio são as chamadas cenas de gênero, que são representações de passagens bíblicas como se fossem cenas do cotidiano. Ele acreditava que o sobrenatural aparecia no dia a dia, na normalidade, assim como ele representou em sua obra A Vocação de São Mateus (1600).
Do lado direito da obra aparece a representação de Jesus Cristo com São Pedro, apontando para Levi, um arrecadador de impostos, que eventualmente viraria o apóstolo Mateus e assim, São Mateus. O quadro é composto por três divisões; o lado direito, com Jesus Cristo e São Pedro, representa o mundo sobrenatural e divino, que traz consigo a Luz. O lado esquerdo do quadro simboliza o mundo pagão e materialista, que é unido pela terceira divisão da composição: a mão de Jesus Cristo, uma clara analogia à Criação de Adão, de Michelangelo.
A inovação que Caravaggio trouxe inspirou diversos artistas e difundiu o Barroco para outros países como França, Alemanha, Holanda, Espanha e Inglaterra. Os pintores flamengos adotaram o estilo de pintura de Caravaggio, e por este motivo são conhecidos como Caravaggistas.
Dentre os pintores flamengos, o principal é, sem dúvidas, Peter Paul Rubens. Este grande artista barroco foi simultaneamente influenciado pela Alta Renascença de Rafael e Michelangelo e pelo seu contemporâneo, Caravaggio. Suas composições são bidimensionais e fortemente ligadas à cor. Os corpos expressos por Rubens são volumosos, assim como fazia Michelangelo. Estas características se misturam nas obras de Rubens, como se pode observar em O Rapto das Filhas de Leucipo (1617).
Nesta composição de Rubens, o contraste de cores e os movimentos teatrais dos corpos resultam em uma obra plena de tensão e ação. O quadro representa as duas filhas de Leucipo sendo raptadas pelos gêmeos Castor e Pólux, que se apaixonaram pelas irmãs. Em uma versão dos mitos gregos, Zeus transforma os dois irmãos na constelação de gêmeos.
Rubens serviu de inspiração para muitos artistas, como Diego Velázquez, o maior pintor do Barroco Espanhol. Velázquez também foi profundamente influenciado por Caravaggio e era o pintor da corte da Espanha. A sua obra mais aclamada, Las Meninas (1655) , é uma encomenda por parte da corte. Este quadro foi considerado em 1985, por um juri de especialistas em História da Arte, como a maior obra já realizada por um ser humano.
À primeira vista esta obra pode parecer apenas um retrato da família real Espanhola, mas através de uma análise mais profunda acerca de alguns de seus elementos,fica claro porque Las Meninas é considerada uma das obras mais importantes de toda a História da Arte.
O primeiro detalhe importante deste quadro é como Velázquez se representa na composição. Ele aparece pintando uma grande tela, em seu próprio estúdio, junto a corte. Ao fundo, na parte de cima da tela, há dois grandes quadros pendurados. Ainda que a pintura destes quadros não esteja detalhada, podemos notar que elas se tratam de duas obras de Peter Paul Rubens: Pallas e Arachne e Apolo vencedor de Pan, respectivamente, da esquerda para direita. Por este motivo, o quadro Las Meninas é uma pintura sobre a arte de pintar. Nesta época, a profissão de artista ainda não era considerada tão nobre quanto outras áreas como a Filosofia ou a Poesia. Velázquez usa de toda a sua genialidade nesta composição, no intuito de exaltar a profissão de artista.
Existem muitos outros elementos impressionantes nesta pintura. Um deles é a captação espontânea do momento, tal como uma fotografia consegue captar. Velázquez constrói três planos com este quadro e coloca o observador como parte desta composição, direcionando os olhares para fora do quadro.
O Barroco trouxe para a História da Arte grandes pintores que inovaram com suas técnicas e composições únicas. Johannes Vermeer foi outro grande nome deste período e é conhecido como ‘o artista do cotidiano’ pois pintava muitas cenas de gênero. Ele é um dos principais pintores do Barroco na Holanda. Uma de suas grandes obras é A Arte da Pintura (1665).
Os intensos contrastes de cores são característicos da pintura de Vermeer, assim como a luz que ilumina a cena, geralmente saindo de um dos cantos da tela. A pintura é tão exata e real que parece uma fotografia. Vermeer cria uma certa distância entre o espectador e a cena, trazendo dramaticidade e teatralidade para a composição; uma característica tipicamente barroca. Nesta obra, Vermeer, assim como Velázquez, enaltece a arte da pintura através dela mesma.
Ainda no Barroco Holandês, temos um outro grande mestre: Rembrandt. Ele trouxe o aperfeiçoamento de uma técnica criada por Da Vinci na Renascença, o chiaroescuro. Nesta técnica, o artista cria um contraste entre luz e sombra na representação de um objeto. O tenebrismo utilizado por Caravaggio é uma radicalização do chiaroescuro.
A grande obra-prima de Rembrandt é a Ronda Noturna (1642), que na verdade não é uma cena noturna, mas foi denominada desta maneira pois anos depois de ser pintada, escureceu pela sujeira e adquiriu esta coloração escura.
Nesta cena podemos observar a utilização da técnica chiaroescuro, com os dois pontos de luz do quadro centralizados na menina e no tenente. Rembrandt inovou nesta obra por ela se tratar de um retrato de grupo. Este gênero de pintura nunca tinha sido feito antes. As personagens aparecem no quadro não de forma posada, mas sim em ação, como se o momento tivesse sido capturado naturalmente.
Bibliografia:
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A Deposição da Cruz, de Peter Paul Rubens. Disponível em: https://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2012/01/28/908088/conheca-deposico-da-cruz-peter-paul-rubens.html
http://www.raywise.co.uk (imagem)
Las Meninas, de Velázquez. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Cjb4jXoBf1c
Las Meninas: Is This The Best Painting in History? – Nerdwriter. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WKRKrpz09Fk
Estórias de História: Análise da obra “A Arte da Pintura” Disponível em: http://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2013/09/analise-da-obra-arte-da-pintura-de.html
Vermeer: O pintor do Cotidiano. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=yb_FLE-DDro
Why is this Rembrandt’s Masterpiece. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=5E8f64yj1Jk






