
Aproximademente de 1720 à 1770
O termo que designa o período artístico conhecido como Rococó é originário da palavra francesa “rocaille”, que significa rochas ou conchas. Foi assim denominado porque os detalhes utilizados pelos pintores seguiam o padrão encaracolado das conchas.
O Rococó nasceu na França, mais especificamente em Paris, no século XVIII. Nesta época, a França passava a ser governada por Luís XV, que ainda era menor de idade. O estilo de governo de Luís XV era muito distante do absolutismo de Luís XIV e estes novos ares na política francesa influenciaram diretamente no fazer artístico: as cores escuras e os temas religiosos do Barroco foram substituídos por cenários etéreos, graciosos e ornamentados do Rococó. Por isso, o Rococó é conhecido como uma extensão do Barroco, mas como uma versão profana.
Este movimento artístico não se limitou somente à área da pintura; a arquitetura e escultura também foram fortemente influenciadas. Mas o Rococó vai além; ele transcende o limite da arte e torna-se um estilo de vida almejado pela aristocracia.
Os pintores deste período tinham grande inspiração no famoso pintor flamengo Peter Paul Rubens; nas suas cores suaves, em seus contornos definidos e em sua representação da realidade como um fragmento de uma ação. O pioneiro do Rococó foi Antoine Watteau, com cenas ao ar livre do gênero fetê galante. Este gênero retratava a aristocracia em elegantes roupas de festas, em lugares ao ar livre, como parques. Mais tarde, este conceito se estendeu para um estilo de vida em que as pessoas possuíam costumes, trajes e expressões impecáveis, além de um amplo conhecimento nas áreas da arte e da ciência.
Antoine Watteau ganhou grande reconhecimento graças as suas representações dos passatempos solenes da alta sociedade, que sintetizavam com euforia os gostos desta época. Sua pintura ilustra a forte influência do teatro do século XVIII.
Watteau pinta estas cenas inspirado no forte movimento contra o classicismo anterior e traz à tona temas que sempre foram considerados ‘fúteis’ pelos prévios períodos, como o a comédia, a farsa e o romance.
Nesta obra de Watteau, “Fetês Vénitiennes”, o pintor se inclui na cena como o músico sentado do lado direito. As cores utilizadas são suaves e a técnica de pintura adicionam à obra um ar mágico e angelical. Há uma dualidade nos trabalhos de Watteau, pois mesmo que as cenas se façam de modo teatral, elas podem ser vistas também como um jogo de disfarce comum em festas íntimas da aristocracia. Estas questões ficam em aberto justamente para desafiar esta linha tênue entre teatro e disfarce.
Influenciado por Watteau, outro importante pintor do Rococó é François Boucher, que ficou conhecido por suas obras de caráter idílico, corpos volumosos, temas mitológicos vulgarizados e uma precisão de texturas que atingem um aspecto de porcelana.
Boucher foi o artista da moda de sua época e ganhou grande reconhecimento da Academia Real de Pintura e Escultura da França, chegando a ser reitor da mesma. Boucher era um artista completo, pois era gravador, criava figurinos para teatros e também era decorador. Um de seus importantes feitos foi a decoração da Cornija do quarto de Maria Antonieta, em Versalhes.
O trabalho de Boucher era muito variado e inovador. Ele se aprofundou em temas extravagantes e exóticos mas também retratava atmosferas pastoris e delicadas.
Em “O Triunfo de Vênus”, o pintor apresenta o mito do Nascimento de Vênus, a deusa do Amor e da Beleza. Segundo a mitologia, Vênus teria nascido da espuma do mar e sido levada à ilha de Citera pelas Ninfas. Nesta representação, Boucher traz intensa dramaticidade e erotização à cena; os Tritons aparecem nus, assim como as Naids, formando uma homogeneidade entre corpos, água e criaturas do mar. Os tons serenos em azul contrastam com a densidade da obra, e as nuvens se fundem ao mar, criando um cenário uniforme e etéreo.
Boucher inspirou muitos artistas e chegou a ser mentor de um grande nome do Rococó; Jean-Honoré Fragonard. Fragonard é lembrado por suas obras alegres e despreocupadas, muito influenciadas por Peter Paul Rubens. Utilizando-se de cores pastéis, o pintor retratava cenas cotidianas com uma grande pomposidade.
Diferente de Boucher, as cenas de caráter erótico ficavam subentendidas e não gritantemente explícitas. O enquadramento das obras faz com que o espectador sinta-se observando a cena ao longe, como se estivesse espionando a vida das personagens.
“O Balanço” não só é uma das obras mais famosas de Fragonard, mas também de todo o Rococó. Este quadro foi encomendado por um tesoureiro do clero francês que, segundo teorias, é o próprio homem retratado no canto esquerdo. A cena se trata de um amante, que, agachado em meio ao jardim, olha por debaixo das vestes da sua amada, enquanto outro homem (canto direito) balança a moça, sem que ele tenha conhecimento do amante.
Ao chão, no lado direito, um cachorrinho late, como se avisasse ao dono o caso de infidelidade. O sapato saindo dos pés da mulher voa em direção a uma estátua, que representa Cupido – o Deus do desejo e do amor erótico. Ele tem um dos dedos ao lábio, como se dissesse às outras duas estátuas para manter segredo.
A suntuosidade da atmosfera criada por Fragonard se faz com teatralidade, texturas vivas – quase palpáveis – além de muita delicadeza. O pintor consegue sintetizar com maestria o conceito de Rococó; doce e erótico, ornamentado e perfumado.
O Rococó teve como palco principal a França, mas também se espalhou para a Alemanha, Portugal e Inglaterra, e teve um grande representante na Itália; Giovanni Battista Tiepolo.
Tiepolo possuía um estilo de pintura ainda muito ligado ao Alto Renascimento, porém suas cores e texturas eram tipicamente do Rococó.
O artista veneziano pintou diversos afrescos decorativos e cheios de ilusões de ótica, uma característica típica dos pintores de Veneza. Suas cores claras e delicadas exalam frescor e uma sensação de arejamento, ao mesmo tempo em que transmitem certa melancolia.

Nesta obra, Tiepolo retrata o Deus Apolo – o Deus Sol, Deus das artes, da profecia, da música, da justiça – como o centro da pintura. A luz projetada na pintura provém do próprio Apolo, que ilumina a cena com seus raios de Sol. As divindades que o circundam simbolizam os planetas, tendo como destaque Vênus e Marte, e as alegorias nos cantos possuem o formato dos continentes.
Tiepolo cria uma transposição entre dois mundos; o mundo sublime dos Deuses que guiam os planetas, e o nosso mundo, representado pelos continentes. Este afresco compreende toda a habilidade do artista, desde a escolha precisa das cores até a distribuição meticulosa das personagens.
Bibliografia:
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HDOGE, Susie. Breve História da Arte. GG, 2017.
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MACCHIA, Giovanni. Antoine Watteau. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Antoine-Watteau
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ARTE E EDUCAÇÃO. François Boucher, Pintor Rococó – Vida & Obra. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3xyb4wK-mAU
THE ART STORY. François Boucher. Disponível em: https://www.theartstory.org/artist/boucher-francois/
Jean Honoré Fragonard. Disponível em: https://www.hisour.com/pt/jean-honore-fragonard-15795/
Jean Honoré Fragonard. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Jean-Honore-Fragonard
O Perfume do Rococó. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4JahKw8mjDc
The Swing, Fragonard: Analysis, Interpretation. Disponível em: http://www.visual-arts-cork.com/famous-paintings/swing-fragonard.htm
Tiepolo. Disponível em: https://www.theartstory.org/artist/tiepolo/
METROPOLITAN MUSEUM. Disponível em: https://arthistoryproject.com/locations/united-states/new-york/metropolitan-museum-of-art/
Giovanni Battista Tiepolo. Disponível em: https://www.nationalgallery.org.uk/artists/giovanni-battista-tiepolo
Alegoria dos Planetas e Continentes. Disponível em: https://www.metmuseum.org/pt/art/collection/search/437790


